Doenças Mentais e Estrabismo em Adultos

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Sabemos que uma das causas do estrabismo em adultos são doenças neurológicas. Mas qual é a  prevalência de doenças mentais em adultos com estrabismo? Descobriu-se recentemente que crianças com diagnóstico de algumas formas de estrabismo apresentam risco aumentado de desenvolver doenças mentais no início da idade adulta, de acordo com os resultados de um estudo da Clínica Mayo publicado no Pediatrics, jornal oficial da Academia Americana de Pediatria.

O estudo citado examinou os prontuários de 407 pacientes com estrabismo e os comparou com registros de crianças correspondentes por idade e sexo, mas com alinhamento normal dos olhos. 

As crianças com desvios divergentes (exotropia) apresentavam três vezes mais probabilidade de desenvolver um distúrbio psiquiátrico do que os que não apresentavam estrabismo. Além disso, as crianças com exotropia intermitente tiveram mais visitas ao departamento de emergência de saúde mental, hospitalizações de saúde mental e tendência suicida ou homicida. 

Já aquelas com olhos desviados para dentro (esotropia), não apresentavam aumento na incidência de doenças mentais.

Os resultados deste estudo podem ajudar a alertar os pais e Oftalmologistas para potenciais problemas em seus pacientes pediátricos. Pediatras e oftalmopediatras que atendem crianças com estrabismo devem estar conscientes do aumento do risco de doença mental.

Essa é mais uma razão para tratar o estrabismo infantil desde cedo. Ao contrário da crença popular, o estrabismo não some com o crescimento da criança e nem desaparece “naturalmente”. É preciso tratá-lo para não haver complicações ou perda da visão. Saiba mais sobre estrabismo infantil. 

Doenças Mentais em Adultos com Estrabismo

Estrabismo em Adultos

O estrabismo é mais comum na infância mas também pode acometer adultos. Quando isso acontece, o paciente pode ter visão dupla (diplopia) e as causas são diversas, quase sempre associadas a outras doenças, traumas e más práticas com os olhos.

Doenças Mentais e Estrabismo

Estudos recentes demonstraram uma ligação entre estrabismo e doença mental. Em adultos, a exotropia constante foi recentemente associada à esquizofrenia. 

Estudos também sugeriram que, como crianças, adultos com estrabismo encontram efeitos psicossociais negativos e relatam dificuldades no emprego, nos relacionamentos e na autoimagem como resultado do preconceito associado ao seu desalinhamento ocular.

Porém, não há relatórios conhecidos que tenham analisado os efeitos desses fatores psicossociais negativos em adultos com estrabismo, e não se sabe se esses fatores negativos eventualmente progridem para causar doença mental. 

Um estudo realizado por Mohamed Basil Hassan acompanhou  297 adultos com estrabismo de início recente. Cada caso foi comparado com um controle (paciente) não estrábico combinado por sexo e data de nascimento. Os resultados foram esses:

  • Transtornos de saúde mental foram diagnosticados em 65 (55,1%) pacientes com insuficiência de convergência em comparação com 54 (45,8%) controles.
  • Transtornos de saúde mental foram diagnosticados em 51 (63,8%) pacientes com insuficiência de divergência em comparação com 42 (52,5%) controles.
  • Transtornos de saúde mental foram diagnosticados em em 63 (63,6%) pacientes com hipertropia de pequeno ângulo em comparação com 57 (57,6%) controles.

A conclusão foi de que adultos com algumas formas de estrabismo parecem ter um risco aumentado de doença mental e suas comorbidades, em comparação com controles não estrábicos de mesma idade e gênero.

Estrabismo causado por doenças sistêmicas ou neurológicas

Algumas doenças sistêmicas ou neurológicas podem levar a alterações no olho e causar estrabismo. Além disso, o quadro oftalmológico pode ser o primeiro sinal de algumas enfermidades. É importante, então, ter conhecimento das principais associações de doenças sistêmicas com quadros oculares, para que diagnósticos e tratamentos não sejam adiados indevidamente, o que poderia levar a um aumento de complicações oculares e da saúde do indivíduo como um todo.

O oftalmologista pode fazer o diagnóstico de várias doenças, assim como o clínico e o cirurgião podem reconhecer os principais quadros oftalmológicos. Assim, devemos ressaltar a importância da interação entre as duas partes, que sempre leva a um melhor tratamento do paciente.

Estrabismo e Qualidade de Vida

De acordo com um estudo sobre os efeitos do estrabismo na qualidade de vida, os pacientes podem sofrer uma série de comprometimentos mentais e emocionais.

O estrabismo em crianças pode causar depressão, dificuldade de aprendizado, baixa autoestima e bullying. Além disso, se não for tratado de forma precoce e adequada, pode causar danos permanentes na visão dos pequenos.

Em adultos, não é diferente. Muitos pacientes relatam sentimentos negativos, ansiedade, depressão, baixa autoestima, dificuldade de olhar nos olhos e problemas nas relações pessoais e sociais. Quem sofre de estrabismo precisa enfrentar continuamente a discriminação e o preconceito. Lidar com isso o tempo todo, pode ser muito desgastante e frustrante.

Esses transtornos mentais e emocionais afetam diretamente o bem estar e a qualidade de vida dos estrábicos.

Portanto tratar o estrabismo, não é só uma questão de estética, também é cuidar da saúde mental.

Você sabia que o movimento dos olhos pode ajudar a diagnosticar doenças mentais?

Em 2012, um grupo de cientistas do Reino Unido demonstrou que o movimento dos olhos poderia servir para detectar doenças mentais, como a esquizofrenia, com uma precisão superior a 98%. A descoberta, entretanto, não era novidade. Há mais de 100 anos os cientistas sabem que os indivíduos que sofrem de transtornos psicóticos apresentam diferentes anomalias no movimento ocular.

Mas identificar isso requer não só a perícia do oftalmologista, como também uma tecnologia que possa diferenciar padrões normais de possíveis indícios patológicos. Com este objetivo, a empresa BcnInnova, situada no Parque de Pesquisa da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha, decidiu trabalhar no diagnóstico de doenças mentais mediante o movimento ocular.

A empresa tem recebido financiamento europeu para adaptar seu dispositivo Gazelab, um aparelho utilizado em pacientes com estrabismo, para detectar doenças mentais. O sistema de BcnInnova é capaz de analisar de forma precisa o desvio, a oscilação, a torção dos olhos e o comportamento das pupilas. Graças aos dados obtidos, pode-se complementar o trabalho realizado por psicólogos e psiquiatras no diagnóstico desses transtornos.

O exemplo do Gazelab mostra novamente como a tecnologia pode ser uma grande aliada no cuidado de nossa saúde.

Mais do que nunca é importante que você e sua família façam o acompanhamento oftalmológico regular e procurem o Oftalmologista de sua confiança caso surja algum problema ou dúvida. O Estrabismo tem cura na maior parte dos casos!

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